II Fórum Humanista Latino-americano
América Latina Unida Sem Guerras e Sem Violencia
Nos dias 23, 24 e 25 de novembro do ano de 2007, reunimos pessoas e organizações humanistas junto a representantes de governos, parlamentares, partidos políticos e diversos movimentos sociais latino-americanos. Valorizamos o trabalho conjunto e a contribuição de todos eles no desenvolvimento deste Fórum.Previamente a sua abertura, fomos recebidos na terra sagrada de Tiwanaku, lugar onde celebramos uma cerimônia ancestral em honra a Pachamama e ao Pai Sol. Em seguida celebramos conjuntamente o Ofício, cerimônia da Mensagem de Silo. As autoridades locais distinguiram aos humanistas presentes e seus porta-vozes como visitas ilustres nesse lugar.
O Fórum foi aberto pelo Presidente da República da Bolívia, Evo Morales Ayma e foi transmido ao vivo pela televisão nacional do país anfitrião. Nesta ocasião lhe foi entregue o “Prêmio à Coerência” em reconhecimento às ações que está realizando a favor de seu povo.
O trabalho articulou-se ao redor de 18 mesas que trataram os seguintes temas: A Arte e a Integração; Mulheres e Integração dos Povos; Movimento Estudantil Latino-americano; Paz, Conflitos, Desarmamento e Mundo sem Guerras; Povos Originários; Imigrantes e Integração Latino-americana; Direitos Humanos; Geração de Âmbitos Não-Violentos; Direitos Humanos, Deficiencia Física e Desenvolvimento; Saúde; Educação; Cidade Humana; Economias Alternativas; Energias Estratégicas; Meios de Comunicação Humanistas; Espiritualidade e Religiosidade; Orientação Sexual e Identidade de Gênero; Crise Ecológica Regional e Papel das Organizações Sociais; Transporte Ferroviário; Trabalho Social; Manejo Comunitário da Penitenciária; Não-violência Ativa; Saúde Mental; Partidos Políticos; Organizações Sociais e sua Direção Revolucionária. As conclusões deste trabalho serão incluídas em documento anexo.
Além disso, realizaram-se três painéis sobre: “Resolução não violenta de conflitos históricos entre nações”; Somente haverá progresso se é de todos e para todos”; Visões para uma America Latina unida, sem guerras e sem violencia”. Também ocorreu a apresentação do livro O fim da Pré-História, cujo autor é o porta-voz do Humanismo para América Latina, Tomas Hirsh.
Ao mesmo tempo, se realizaram o Encontro de Novas Gerações e reuniões do Centro das Culturas, A Comunidade para o Desenvolvimento Humano e os Partidos Humanistas da região.
O Fórum manifestou explícitamente seu apoio ao povo e ao governo boliviano pelos importantes processos de transformação que estão levando adiante, para alcançar uma maior democracia e justiça social neste pais. Ao finalizar o Fórum, recebemos com alegria a notícia da aprovação de uma nova Constituição por parte da Assembléia Constituinte, que soube sortear todas dificultades encontradas durante este processo.
Declaração de La Paz
O processo boliviano é um exemplo para todo o continente e para o mundo. O Humanismo Universalista reconhece uma genuina coincidencia com os princípios de não-discriminação e não-violência que animam o governo da Bolívia, na hora de levar adiante seu prometo revolucionário. A Bolívia está mostrando um caminho de liberação e humanização para nossos povos. O Fórum Humanista Latino-americano se compromete a continuar difundindo este intento valioso no mundo inteiro.
Fazemos nossa a proposta do presidente Evo Morales para incluir a renúncia à guerra como artigo constitucional em todos os países da região. Este gesto, somado ao seu intento de recuperar a dignidade do povo boliviano através de uma metodología de ação não-violenta, o faz merecedor do Prêmio Nobel da Paz.
Na América Latina estão surgindo projetos político-sociais que priorizam o bem-estar de seus povos acima da ditadura das exigências macro-econômicas. Neste sentido, a recuperação dos recursos naturais e energéticos e dos serviços básicos de água, luz e comunicações vai exatamente nesta direção. A retirada do CIADI por parte do governo da Bolívia é uma medida que contribui para avançar a um melhoramento das condições de vida de seu povo e uma decisão a ser implementada por outros países latino-americanos.
A resolução de conflitos históricos e o desarmamento progresivo e proporcional entre países da região são temas fundamentais para a integração latino-americana. As guerras não são iniciativa dos povos, senão dos interesses econômicos que o exploram. A aspiração da Bolívia por uma saída soberana ao mar é um dos conflitos emblemáticos da região e este Fórum seguirá colaborando decididamente para que este país alcance este objetivo histórico.
Em relação a questão do meio ambiente, o Fórum considera que é necesario construir uma legislação regional que freie a ação depredadora do capitalismo selvagem. Os recursos naturais e energéticos são a base material da sobrevivência dos povos e asseguram seu futuro, por tanto não podem estar abandonados à ambição o lucro. Na mesma direção, estudaremos a possibilidade de organizar um forum internacional sobre o aquecimento global e da responsabilidade direta do capital especulativo neste alarmante fenômeno global.
A conformação de assembléias constituintes por parte da Constituições obsoletas e anti-democráticas é um caminho a ser seguido por outros países da região. O Fórum adere ao intento destes países em construir uma nova ordem institucional democraticamente consensuado alcançando, através desse procedimento legislativo, um acordo social majoritário e sem exclusões.
Amigos e amigas: este Fórum significou um grande avanço no diálogo, na complementação e na ação conjunta entre os povos de nossa região. Convocamos ao III Fórum Humanista Latino-americano, a realizar-se no próximo ano em Buenos Aires (Argentina) a todas as pessoas, organizações sociais, políticas, culturais e governos que queiram trabalhar para reforçar a integração latino-americana, sob o signo da paz, da soberania e da liberdade de todos os habitantes de nossa região.
Para todos, Paz, Força e Alegria
