I Fórum Humanista Latino-americano

“Integração dos Povos Latino-americanos para a Nação Humana Universal”

Jose Salcedo, coordinador general del Foro
Em Quito, nos dias 20, 21 e 22 de Outubro do 2006, reunimo-nos organizações sociais, políticas e culturais de todo o continente, junto a representações dos Estados Unidos e Europa, para encontrar respostas às necessidades de integração dos povos latino-americanos.

Ao longo destes três dias de trabalho em painéis e mesas temáticas constatamos que:

A situação da América Latina é hoje um desastre. Hoje em dia a grande maioria dos homens e mulheres de nosso continente vivem em condições miseráveis, de maltrato. Não apenas pela falta absoluta do direito à saúde e à educação, a um trabalho digno, a uma aposentadoria adequada, a uma moradia e a viver em um meio ambiente não poluído, mas também por serem perseguidos por suas idéias, por suas crenças, por sua cultura, por suas formas diferentes de enfrentar a vida. Nesta globalização asfixiante na qual se concentra todo o poder político, econômico e militar em um só ponto, tenta-se homogeneizar as formas de pensar, de atuar e de sentir das populações.

É nesta situação em que atuamos, compreendendo que se terá que avançar para uma Nação Humana Universal, e que neste caminho devemos primeiro construir grandes projetos de integração regional; não obstante, sem perder nunca de vista que não estamos aspirando à constituição de regiões que logo choquem entre si, mas sim integrações regionais que logo possam contribuir umas com as outras para o projeto que realmente temos, que é o desta Nação Humana Universal.

Integração Latino-americana não é a integração monetária, tampouco é somente uma integração cultural; quando falamos de integração, dizemos que em primeiro lugar deve-se localizar o ser humano como valor e preocupação central.

Destacamos como linhas convergentes:

• A solidariedade e a reciprocidade entre as organizações

• O estabelecimento do equilíbrio entre capital e trabalho

• A recuperação de recursos naturais

• A justa distribuição da terra

• A integração real e não formal dos povos originários e a recuperação de seu território

• A urgência do desarmamento nuclear mundial

• A resolução de todos os conflitos históricos entre os países

• O livre trânsito das pessoas entre os países da região

• Os acordos de integração econômica colocando o acento no fortalecimento da micro e pequena empresa da região.

• A implementação de processos de democracia real, direta, plebiscitária.

• O apoio às novas gerações em todas suas iniciativas não violentas.

Todas estas propostas devem se refletir em novas Constituições que surjam a partir de Assembléias Constituintes Fundacionais.

Por outro lado, reconhecemos o entusiasmo por compartilhar experiências, diagnósticos e propostas nas mesas temáticas regionais, cujo trabalho começou há alguns meses, para chegar a sintetizar-se nos intercâmbios realizados neste Fórum.

Assim, valorizamos que as conclusões e propostas das 20 mesas temáticas refletem a compreensão de que qualquer resposta para superar as condições de opressão, de dor e sofrimento de nossos povos requer a integração e ação regional.

Cada proposta de ação concreta reflete um compromisso profundo com a causa da integração. Estas propostas requerem uma ampla difusão e a abertura de espaços de participação, o que vai consolidando um movimento social amplo e diverso, que deve se fortalecer e crescer, e dar um sinal ao mundo da urgente necessidade de construir uma sociedade verdadeiramente humana que supere toda forma de violência e discriminação.

Neste projeto para a integração é necessário ir nos encontrando com todos aqueles que querem avançar nesse caminho. São os movimentos sociais os que têm que tomar o protagonismo da transformação social, ao mesmo tempo que os partidos devem assumir o papel de serem instrumentos políticos desses movimentos sociais, e não ao contrário.

Por outro lado, expomos nosso rechaço à chantagem que se submete a nossos povos sob o conceito do “mal menor”. Os humanistas nos movemos na vida procurando a coerência, fazendo coincidir o que pensamos, sentimos e fazemos, e o que fazemos na vida procura sempre construir sociedades mais justas, sem nos conformar com males menores, procuramos bens maiores.

Comprometemo-nos a manter estas linhas de convergência, a difundir amplamente as conclusões deste Fórum e animamos à concretização das ações aqui propostas.

É nosso propósito que todos aqueles que se sentem humanistas e coincidam com estas aspirações, tenham aqui um espaço de participação real no qual a diversidade convirja para a unidade.

Convocamos ao Segundo Fórum Regional Latino-americano a realizar-se na Bolívia no final do ano de 2007.

De Quito, com uma saudação de Paz, Força e Alegria

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